Éramos todos jovens... Quantos anos eu tinha? Eu era
jovem... Foi ontem.
Procurava superar, tentava não pensar, mas não dava. Estava
ali, nas redes sociais, no penduricalho do meu celular, no meu intro de
músicas, no perfume da propaganda, na sensação do seu abraço, nos sorrisos
juvenis, nos sonhos profanos, no meu aniversário... Estava lá o tempo todo.
Aquele par de olhos castanhos, castanho chocolate. Liquidos
como mel, reluziam no sol e delatavam a sabedoria do meu sentimento. Usou a
frase mais sutil e dócil para me dirigir a pior das críticas: eu não era
mulher. Eu era menina. Meninas não satisfazem homens, não pertencem ao seu ambiente,
não fulminam em sonhos devassos, não causam sequer o mais sutil arrepio.
Sua droga de voz que nunca vou esquecer, seu sorriso sincero
e simpático, e essa sua maldita imperfeição perfeita... Você nunca realmente
quis que eu estivesse ali. E no entanto, ingenuamente eu estava ali, de
venerando como uma virgem curiosa. Queria-te simplesmente. Contemplando
vulgaridades virtuais, colhendo experiência, tentando ser mentalmente a melhor,
para então abordar você. Te pegar dentro do ‘aquário’. Você era um peixe livre,
eu fui a alienada do aquário. A criança... “Tudo pra você é uma aventura”. O
que era um defeito eu achei ser qualidade. Eu realmente te amei e vou levar
para minha sepultura a curiosidade de saber se o gosto da sua boca era tão bom
quanto o teu perfume sugeria. Aquele toque forte e firme... Nunca te possuí.
Nunca foi meu e, no entanto, fui sua mais de mil vezes, nos sonhos perversos.
Em minha mente me tornei mulher contigo. Eu entraria numa igreja católica e
adotaria o nome da tua família pra mim. Teria filhos seus e te abraçaria a cada
dor tua. Em teus fracassos, eu seria tua força. Em noites quentes eu te saciaria e morreria em risos na tua boca.
Eu te faria meu melhor prato, nem sonharia em gastar seu cartão, cresceria
contigo e te daria o meu melhor, a minha pureza, o meu eu de corpo e alma.
E, no entanto, tudo o que eu daria não seria o suficiente.
Eu ainda seria uma criança.
E você um homem.
Como é essa sua garota? Ela é legal com você? Ela te mima?
Ela ama você, certo? Você gosta dela? Como é o beijo dela?
Ela é a mulher que você queria?
Acha que eu poderia ter sido essa mulher?
Se tudo pra mim não fosse uma aventura, eu não estaria
sentindo isso. Acha que vai passar quando eu dormir? Eu continuo sonhando com
você. Por quê você ainda está lá, com sua barba bem feita e seu cabelo macio?
Eu amo você. Você é uma ilusão do meu subconciênte. Me ensina a te esquecer. Eu
não aguento essa dor. Esse amo que é de outra. Esse amor que eu queria. Quantas
vidas eu teria que ter pra ser mulher pra você?
Mas eu te queria nessa. Essa é nossa ultima vida. Mesmo
signo. Mesmo tempo. Mesmo aniversário. Mesmos gostos.
Porquê não eu? Eu era criança... Eu sei... Mas eu cresceria
por você.
Droga, menino, eu amo você enquanto desabafo isso, amei você
antes de saber dela. Amei enquanto li sobre sua relação e vi suas fotos na
maldita rede social. E vou amar antes de dormir, e vou amar nos sonhos profanos
e quando acordar que a realidade me congelar.
Nos meus sonhos, meu doce, eu sei que lá você usa uma
coleira com meu nome, porquê eu já talhei a faca seu nome nos meus ossos.
Amo você.
E espero pacientemente passar essa raiva e inveja, pra que
ao menos pra você, que me deu tantas sensações boas, eu possa desejar uma
genuína felicidade.
