Pode alimentar meus peixes? Tenho estado sem tempo. É só clicar, eles seguem a seta ♥

Quem sou eu

Minha foto
Putz... Olha pra QUEM você pergunta... Mas, se for pra dizer quem eu sou eu digo... Reticências. Reflita. Me leia. Reflita...

sábado, 10 de novembro de 2012

DE: Texto Para: Leitor inexistente.

Véi, há um momento da sua vida, uma epifania, se preferir, em que tudo faz sentido. Tudo. Aí o momento passa e você se sente ridiculamente pequeno de saber tamanha coisa. Prefere esquecer ou não acreditar... Que babaquice. A ignorância é absurdamente abençoada, mas as pessoas querem, precisam saber... Acham que precisam. E quando descobrem é cruelmente pior. Mas agradeço por saber o que sei e lamento ter sido tão ingênua. Li agora a pouco que "Há uma grande diferença entre desistir e achar que não vale a pena tentar". Concordo. Mas me perdi nesse conceito e esqueci a diferença. O hilário é que nada nem ninguém além de mim se preocupam. Enfim, desisto com um suspiro de alívio e cansaço. Desta vez eu sei que não vale a pena tentar. Tenho uma juventude próspera, embora não bem sucedida, e dezenas de livros a serem lidos. Uma carícia ao meu eterno Livro Verde. Um sorriso de canto ao Red Book, atual Livro Branco e um abraço forte ao meu precioso Livro Cristalino. Não preciso de outros livros. Favor aguardem leitores melhores enquanto empoeiram-se nas velhas estantes da existência. Um meneio de agradecimento, Texto Longo.

domingo, 13 de maio de 2012

Partituras de Sangue - 12°

Esta história NÃO é de minha autoria. 'Como assim tia ross?!' Seguinte, um amigo meu fez esta história e me mostrou. E a história, como vão conferir, é incrível! E bem a cara do tipo de história que eu faria, então topei publicar aqui... Como sabem, não publico nomes de ninguém, apenas apelidos que definem ou realmente pertencem a estas pessoas. Com este amigo não será diferente, ambos somos de maior e responsáveis por nossos atos, mas, se por ventura vieram a divulgar em outro site ou ainda como sua própria autoria fora deste blog, está aqui salvo no pc, sem alterações com datas, ou ainda esta postagem ou bla bla bla... Então, senhor Décimo Segundo, aqui está a sua história que eu realmente, realmente amei, sem alteração alguma, então se houver erros - que nem tive tempo de ver, já que a historia é ótima e não prestei atenção nisso - a culpa é sua ♥. Que venha a história!

Partituras de Sangue


Pulmões, rins, intestinos, figado, estômago, coração... A cada corte, posso ouvir cada um deles se rompendo e inundando-se de sangue enquanto meu humilde voluntário agoniza fazendo uma harmonia suave para esta linda musica que é sua morte. Sempre conto quantas incisões consigo fazer em seus corpos até o sangue começar a jorrar do primeiro corte. Meu recorde foi de 49 cortes. Gosto de números. Que eu consegui contar, até hoje foram 8 anos de “composições”, 5 cidades, 186 voluntários e o mesmo número de composições.
Me orgulho de manter os voluntários conscientes durante a sinfonia, deixando-os ansiosos para o Grand Finalle. De fato, eles até imploram para ver o fim do espetáculo, o qual, claro ,eu só encerro quando ouço o último pedido, a última súplica antes da inconsciência que precede a morte os tomar por completo.
Comecei minhas composições com um garoto implicante do meu colégio, um dos muitos tiranos que habitavam aquela fossa. No intervalo após a aula de biologia eu ainda estava na sala. Ele apareceu para minha dose diária de dor. Ele se aproximava de maneira intimidadora e vagarosa, eu recuava, vasculhando as mesas à procura de algo que me salvasse, que ao menos me protegesse. Senti um corte no meu dedo. Um bisturi usado para dissecações jogado na mesa. “Era tudo que eu precisava”, pensei. O que me lembrava momentos depois foi apenas do rosto de meu agressor cheio de cortes. Minhas mãos frias ainda estavam se acostumando com o calor do sangue que me ensopava dos pés a cabeça. Fugi a principio. Ao ver a matéria no jornal e as fotos do corpo que a acompanhavam, percebi certos padrões sutis que me soavam como uma leve e fina melodia. A memória da excitação que sentia enquanto retalhava aquele lixo me voltou a mente. Me senti reconfortado, como se tivesse acordado de um sonho que deixou uma sensação boa. Afinal, me livrei do meu opressor. Ninguém sentiria sua falta e além do mais, o rosto dele parecia tão tranquilo e sereno depois de morto. Estava até sorrindo, claro que com uma ajuda minha.
Decidi naquele momento que deveria compor mais, afinal um talento musical como o meu não deveria ser desperdiçado. Compus sinfonias mais elaboradas e sublimes. Meu instrumento não mudou desde aquela época. Aprendi a “afiná-lo” com perfeição.
Hoje, tenho mais de 180 composições. Uma mais esplêndida e tocante que a outra, e me certifico de que elas sejam conhecidas e apreciadas, pois desde que me formei eu trabalho de fotógrafo profissional para os jornais da região. Tento manter o controle e discrição em meu ambiente de trabalho. Uma garota do jornal parece se interessar por mim, eu por outro lado, estou interessado em saber que tipo de “som” ela poderia me propiciar. Meu atual chefe é outro. O som de sua respiração pesada e ofegante me lembra o som forte de tambores, ele realmente deve fazer uma bela musica.
Ultimamente, adquiri o costume de estudar meus próximos voluntários. Minha sinfonia mais recente foi feita com a colaboração de uma moça esnobe que conheci quando fui fazer compras.  Ela esperneava, gritava e não se importava de causar um alvoroço na loja. Eu a segui depois desta cena. Ela era uma mulher sistemática. Não deixava nada fora de lugar. Para ela,tudo seguia um padrão, uma ordem,. Ela tinha mania de limpeza e por causa dessa sua obsessão por uma ordem se sentia mais “limpa” que o resto do mundo, quando na verdade o oposto se aplicava a ela. Estava cada vez mais entusiasmado a cada dia que eu a vigiava. Quando finalmente a trouxe para fazer minha musica, estava tomado por um frenesi tamanho que só não me reconheceria se não estivesse acostumado com minhas composições. A levei para um parque. A acústica lá era boa. Tirei lhe a mordaça para começar seu aquecimento vocal. Ela engasgava ao balbuciar um pedido de clemência enquanto chorava histericamente. Me aproximei sem movimentos bruscos e dei lhe um breve beijo na testa seguido de um beijo um pouco mais longo nos lábios. Seu espanto era tamanho que não conseguia nem esboçar reação. Parecia reconfortada, deve ter pensado que a pouparia do que vinha a seguir. Confesso que fui um tanto ousado ao fazer isso, mas fazia questão de mostrar um lado mais humano de minha pessoa antes de apresentá- la ao inferno. Dos lábios segui até seu ouvido e sussurrei.
-Não se preocupe, se você não se mover muito isso pode acabar rápido.
Seu olhar ficou tão distante e perturbado que pensei que a tinha matado só com esta frase. Eu sorri. Aproximei meu estojo de instrumentos dela.
-Qual você prefere? Olhei calma e cinicamente para meu estojo e em seguida para seu rosto. A expressão caótica ainda não a tinha deixado e seu silencio continuava.
-Entendo, disse sorrindo, -você quer que eu faça as honras? Fico lisonjeado com sua confiança em meu julgamento. Vejamos... Eu analiso a ponta de cada bisturi -Acho que o “fá sustenido” será de bom tamanho.
Tiro do estojo um bisturi artesanal com uma clave de “fá” Gravada no cabo lustroso de madeira.
-Bom, algum comentário antes de começarmos o espetáculo? Me aproximo para ouvir suas últimas palavras em sanidade plena. A vontade de viver lhe vem a tona e numa tentativa desesperada ela tanta me arrancar a orelha fora com os dentes. É inútil. Eu me adianto e  finco meu bisturi entre a nona e a décima costela da direita. Ouço o ar vazando para fora de seu pulmão enquanto o mesmo se afoga de sangue.
-Gosta de ir direto ao assunto, não? Bem, darei ao publico o que ele pede! Eu a retalhava com a precisão de um maestro. Os cortes cada vez mais profundos me deixavam mais e mais excitado com a minha música. Aposto que era assim que Beethoven se sentia ao compor suas sinfonias. Ela começou a gritar depois do 30º corte. Se me lembro bem este foi na sua barriga, na altura de seus rins. Seu olhos já perdiam o brilho na altura dos 45 cortes. Seus ferimentos já começavam a sangrar. Eu estava me divertindo tanto com esta composição e tinha que fazer o Finalle tão de repente? Eu não podia deixar isso acontecer! Por um breve momento me descontrolei e deixei as incisões mais profundas. Seus gritos ficaram cada vez mais altos e ecoavam por entre as árvores daquele parque deserto. A música sempre fica mais estrondosa antes do final suave. Ela se soltou das amarras e segurou a manga de meu fraque. Sua face parecia afundada numa agonia tão forte que quase pude sentir sua dor. Ela tentou mais uma vez apelar para meu lado humano. Em vão. Suas palavras não me soavam mais que simples arranhões no violino desafinado. Finalmente a silenciei com um corte profundo na garganta. O sangue jorrou de seu pescoço e até me acertou perto dos olhos. Foi o ápice do meu êxtase! O corpo dela já não tinha mais som, enfim tinha feito mais uma composição perfeita! Aproveitei os cortes no abdômen e finquei minha caneta tinteiro em suas vísceras. Peguei de minha maleta uma folha de partitura em branco. Olhando atentamente seus cortes, eu fui escrevendo, nota após nota, o maravilhoso espetáculo que acabara de criar. Para finalizar, assinei no corpo minha marca, a clave de fá encravada no bisturi agora também estava na carne da minha voluntária. “Onde colocaria a marca?”, pensei por um ou dois segundos. Seria muita ousadia fazer a ultima marca nas nádegas ou coxas. O mesmo vale pra os seios ou a barriga. Decidi por fim faze a marca em sua bochecha esquerda. Parei um segundo para contemplar minha obra, agora iluminada pela lua cheia da meia noite. Voltei para minha casa deixando o corpo para ser achado pelos policiais da região. Em meu sótão, eu vasculhei entre meus instrumentos procurando aquele que melhor podia expressar minha nova melodia. Peguei um Violoncelo e me pus a tocar minha nova aquisição. Nas ultimas noites tenho vigiado minha futura partitura para saber a melhor hora de começar a compor. Por falar nisso, da vista de sua janela posso notar que seu quarto é muito cheio de personalidade. Você tem um senso de decoração sublime! Aposto que vai me fazer uma ótima melodia...

sábado, 5 de maio de 2012

Desilusão


Como um quadro macabro as pessoas olhavam-me horrorizadas. Seus rostos me assustavam, eu fui exatamente como eles. Tinha vida, trabalhava, amava minha mulher e meus filhos... Então como? Como fui parar ali?
Não lembro como começou. Mas agora estavam todos ali, minha mulher ainda me encarando com o mais puro medo ajoelhada abraçando nossa pequena menina que chorava aflita. As pessoas me olhavam com um horror e eu... Eu me sentia um monstro. Mesclava meu olhar castanho para minhas mãos calejadas de trabalho e para as pessoas à nossa volta. Às vezes eu escutava vozes que diziam ‘que horror!’ ou ‘chamem a polícia!’. Minhas mãos... Elas ainda estavam calejada e com farpas da madeira que era o cabo... O cabo do machado.
__ Harry, por que você...? – Minha mulher perguntava ainda em choque abraçando com força nossa Kate para que ela não visse ou ouvisse tudo ao redor.
__ E-eu não... – Eu queria falar explicar, queria que ela parasse de me olhar. Aqueles olhos azuis estavam me matando – Rebecca eu não quis... – Fiquei de pé pra explicar.
As pessoas à nossa volta deram um pequeno grito assustadas, eu tentei me aproximar, mas ouvi os burburinhos ‘ele vai tentar matar ela!’.
__ Calem a boca! – Gritei – Ela é minha mulher, eu jamais a mataria! – Falei gritando contra todos – Eu amo ela! – Falei gesticulando.
Ouvi então o grito de Rebecca que me fez paralisar até o dia em que fui condenado culpado no tribunal.
Minha doce esposa... A mulher que conheci no colegial, que levou-me ao campo para conhecer a família simples dela, que eu trouxe para dentro de casa, apresentando-a aos meus pais de elite, que enfrentamos o preconceito social e que fizemos faculdade juntos na mesma universidade. Ela era fotógrafa e eu médico. Juntamo-nos e na minha formatura a levei para a praia onde tivemos nossa primeira noite juntos. Casamos uns dois meses depois quando descobrimos que ela estava grávida. Tivemos nossa Kate e eu abri um escritório médico. Passamos por tempos difíceis, mas conseguimos nos superar. Lembro que uma vez, num momento de dificuldade acordei de madrugada e a vi na janela. Ela estava linda com aqueles longos cabelos loiros refletindo o brilho da lua. Linda...
__ Querida, tudo bem? – Perguntei ainda com sono, me levantando lentamente para ir até ela.
Ela virou-se para mim, pareceu assustada, então veio em minha direção me impedindo de levantar.
__ Sim, estou, meu bem... Só estava pensando... – Ela deu um sorriso fraco. A luz da lua iluminava bem o quarto, ainda mais ela, tão branca.
__ No que, meu anjo? – A puxei para perto de mim a envolvendo pela cintura.
__ As coisas andam difíceis... – Ela começou, parecia hesitante.
__ E daí? Vamos melhorar! – Falei beijando o rosto dela tentando acalmá-la.
__ Amor eu só queria que soubesse que... – Ela começou.
__ Que...? – Incentivei ante a pausa.
__ Que não importa o que aconteça, eu não vou abandonar você, ta? – Ela pareceu subitamente aliviada, em seguida puxou meu rosto para um beijo.
__ Nunca? – Perguntei entre os beijos rindo de leve.
__ Nunca... – Ela se deitou sobre mim.
Quando penso nisso... Ela nunca ia me abandonar... Então por que ela disse aquilo...?
“Também amava seu pai! Se for esse amor, eu não quero! Seu monstro!! F-fica longe de mim... E da Kate!!”

quinta-feira, 29 de março de 2012

A Mentirosa

Como esperado do título, ela mentia. Ora descaradamente, ora sem intenção. E simples assim, as mentiras saiam.
Jovem, em seus 17 anos, esbanjando ideais e opiniões próprios, bem como as imaturidades e erros, que muitos nessa idade tendem a seguir. Vou narrar algumas dessas trilhas seguidas pela mentirosa.
Ela se apaixonou. E mentia sobre si mesma para ele. Às vezes, fluíam tão naturalmente que ela se assustava. Ela realmente gostava dele. Isso a matou.
Ela também acreditava em horóscopos, sabe? E de acordo com o horóscopo dela, ele NUNCA serviria para ela; somente sob MUITO amor. E assim foi. Ela dedicou-se a ele, provocava-o às vezes, sentia o papo dele, vez ou outra ela expressava sua opinião. Tentava concordar com tudo o que ele dizia, e quando a diferença de opiniões era berrante, dizia um ‘não concordo, mas tudo bem’. O modo como ele pensava a intrigava, ele parecia tão despreocupado com a vida. Esse tipo estava ficando comum... O jeito correto de falar, a sinceridade, e mesmo ele a irritava... Acabou. Mentindo ela nunca mentiu. Ela foi sincera o tempo inteiro, e o... O que? Não... Ela gostou dele... Tentou agradá-lo, o máximo que pode, tentou ser perfeita por que achava que ela mesma não valia à pena... Fim... A depressiva.

terça-feira, 13 de março de 2012

A Obra - Naruto




‘Podre. Ele era podre’



Fiquei contemplando a minha obra. O vermelho vibrava diante dos meus olhos. Eu era agora uma criança no circo. Presenciava o maior e melhor espetáculo que poderia viver. Era um quadro alegre, uma janela de vida, um poço de emoções.
Os sorrisos saiam de mim espontâneos. Eram sorrisos psicóticos, verdade, mas inevitáveis. Olhem a beleza destes... Destas obras!
__ Você não gosta deles? – Perguntei em voz alta para que ela me escutasse.
Olhei para trás ao não receber reposta. Eu estava sozinho. Sorri complacente. Entendia-a. A vi emocionada a pouco enquanto eu trabalhava e aplicava o óleo, agora que acabei ela perdia o melhor. Era meu presente para ela...
A música estava bem alta, sincronizada com o que eu sentia no momento. Eram gritos grotescos com letras incompreensíveis, tinha uma emoção tão profunda. Contradizia com o suave violino ao fundo. Lentamente o violino aquietava-se. Sorri observando minha obra. Minha obra. O vocalista ainda cantava em um ritmo que muitos considerariam estranho, mas sinceramente, era tão metal que pra mim fazia sentido.
Ouvia os gritos enquanto apreciava minha obra. Agora um calmíssimo som de piano vinha, mas era quase inaudível perante a supremacia da voz sôfrega do vocalista.
Logo o piano tornou-se violento, em seguida acresceu-se a ele o som de um poderoso violoncelo, seguido de violinos e trombones. Uma orquestra inteira entrando em sinfonia com a voz rouca do vocalista.
Gritos agora dando pausas. Vez ou outra grunhindo. Eu quase sentia a dor do vocalista. Mas agora estava ocupado. Entretido no meu quadro. Vendo as ondas que programei. Ondas esvoaçantes bruxuleavam como lençóis em vendavais. Via o fogo consumindo o objeto com a fome mínima de um leão.
Meu quadro era o que chamo de natureza morta.
Uma jaula no canto esquerdo. Um travesseiro – rasgado – encostado na jaula, duas tigelas, uma de ração e outra de água próxima à jaula. Tudo devidamente cercado por uma caixa de vidro blindado – com reflexos da lâmpada – num quatro escuro.
O que tornava o quadro hilário era a pessoa no quatro, dentro da sala, dentro da jaula.
Sorria cada vez que olhava. A pessoa estava ajoelhada, apertava as barras, queria chorar, mas apenas gritava embebida na ardência do fogo que a consumia viva.
Olhar aquela obra me deixava muito bem, era lindo... Lindo!


Acordei com um barulhento ‘acorde!’ dado por um policial. Levantei e ele abriu a cela me levando sem cuidado algum pelo corredor inóspito. Sorri quando um ou outro olhar hostil me encarava por entre as grades da cela.
__ Que deselegante, cavalheiro, me empurrar desta forma. – Reclamei irônico.
__ Ora cale a boca! Todos aqui estão por motivos semelhantes aos seus. Você não tem nada de especial! – O guarda retrucou com arrogância.
__ Eu sou um artista! Esses boçais mataram sem nenhuma elegância ou glamour, enquanto eu apenas fiz um lindo quadro e fui preso! Eu deveria ser adorado por ser melhor que Da Vince!
Ouvi risos e chacotas, mas ignorei. O que aqueles boçais entendiam de arte?
Chegamos a uma sala deserta onde uma mesa com três cadeiras – uma de um lado e as outras duas de frente à primeira do outro lado da mesa – estavam a postos.
Na cadeira com par havia uma pessoa de lindos cabelos róseos. Ao seu lado um loiro a encarava com certa raiva, supus. Tinha encantadores olhos azuis. Observei alguns segundos aqueles lindos tons de azul.
Eu queria aqueles olhos.
__ Caminhe! – Fui empurrado. Caminhei e passei pela dona dos cabelos róseos.
Fizeram-me sentar na cadeira solitária à frente deles. O loiro me encarou aparentemente serio, mas sua postura minimamente encolhida me fez crer que ele tinha hesitações, se não temores.
__ Buh! – Levantei ameaçando atacar o loiro que foi para trás na cadeira, apoiando as mãos na mesa e se afastando com a cadeira. A cadeira virou, ameaçou cair, mas voltou fazendo-o vir para frente. Neste breve segundo, quis comê-lo.
Então desviei os olhos para a garota. Os policiais me seguraram com certa brutalidade. Fiquei encarando-a alguns segundos ela me olhava mas evitava encarar meus olhos. E quando, esporadicamente encarava-os, corava.
__ Faz algum tempo que não te vejo, meu amor. – Sorri gentilmente àqueles olhos verdes. Os olhos dela eram para mim como esmeraldas. Deus puniu uma rocha sedimentar e abençoou este corpo com aquelas reluzentes esmeraldas. Gentileza dele.
Ela virou o rosto inclinando-se e abaixando a cabeça. Colocou uma mexa de seu cabelo atrás da orelha e me encarou suavemente sorrindo timidamente.
__ É, faz algum tempo. – Ela desviou novamente deixando o sorriso cair aos poucos.
__ Bem, vamos lá. Eu quero acabar logo com isso. – Ouvi uma voz chata. Desviei para o loiro.
__ Como alguém de feições tão determinadas e olhos tão penetrantes pode ter uma voz tão irritante? – Encostei-me à cadeira atrás de mim. Eu particularmente me apoiaria na mesa e o queixo nas mãos que cruzaria. Mas estava com uma camisa de força.
__ Sasuke... Eu quero me divorciar... – Ouvi a voz de Sakura.
Eu a amava.
Eu abri a boca para falar. Mas minha voz não saiu.
Por quê?
Observei os olhos dela e ela não me encarava. Insisti esperando ouvir um ‘é mentira’. Mas minha frase salvadora não veio.
Fechei a boca. Encarei-a mortalmente e desviei o olhar para o loiro.
Ele estremeceu.
__ Por que teme estúpido? Não vê que estou amarrado e que tens proteção? – Fui grosseiro. Aquele homem provavelmente roubou o coração que tanto me esforcei para guardar. Não vi necessidade alguma em ser gentil com este ladrão.
__ Eu... Eu sou só o... – Estreitei os olhos. A voz dele me irritava.
__ Ele é meu advogado. Preciso dele para o divorcio. – Sakura interveio. Encarei-a friamente.
Ela pareceu chocada.
__ Eu amo você. – Falei a encarando. Ela pareceu ainda mais chocada. Seus olhos estavam desfocados indicando que não era alegria, nem arrependimento. Mas medo. Qual o problema? – Por que não me ama?
__ Eu... Eu te amo! – Ela falou se aproximando da mesa. Apoiou as duas palmas na mesa e inclinada para frente, como que se abrindo ao diálogo. Estava falando sinceramente. Seus olhos agora estavam focados, mas com pupilas mínimas. Olhei-a com atenção. Pupilas tão dilatadas exibiam a sinceridade dela.
Sorri.
__ Então por que vai separar-se de mim, minha linda flor? – Perguntei.
Vi aquela determinação desmoronar. Ela acomodou-se na cadeira e desviou o olhar.
__ Não estamos dando certo. – Ela sussurrou.
__ Não? Por quê? – Perguntei me aproximando afim de ouvi-la melhor.
__ Você... Você está preso! – Ela me encarou aparentemente indignada.
__ E daí? – Não entendi o motivo da crise.
__ Sasuke, eu te amo mas... – Ela pausou desviando o olhar. Estreitou os olhos e procurava em algum ponto no chão as palavras certas. Eu capturava cada detalhe dela como um tesouro.
__ Mas? – Incentivei.
Ela ainda durou alguns segundos levantando os olhos lentamente. Então me encarou encolhida – receosa, supus – e falou com certa hesitação.
__ Mas não saberei criar um filho sozinha. E também não saberia explicar a ele o que o pai faz no corredor da morte.
Não ouvi o resto parei no ‘criar um filho’.
Filho.
__ Eu... Serei pai? – A encarei surpreso. Senti meus músculos moverem-se e meu rosto permitir-se desenhar um sorriso que foi crescendo gradativamente.
Ela abaixou o sorriso que me ofereceu rapidamente.
__ Não será depois que nos divorciarmos.
‘Não será depois que nos divorciarmos’.
Meu sorriso morreu.
Encostei-me à cadeira. Encarei o advogado e depois os guardas.
__ Me desamarrem. Não esperam que eu assine aquilo com a boca, esperam? – Ironizei.
Ambos chegaram perto e ouvi o advogado pegar sua maleta e abrir retirando processos e apresentando-os a si mesmo rapidamente. Em seguida comentou algo com Sakura que não tirava os olhos de mim e apenas meneava sem atenção alguma a ele.
Liberto.
Observei os papeis e estalei os dedos.
Cada misero movimento que eu fazia, os guardas estavam atentos – tensos – para me segurar. O loiro de fascinantes orbes azuis me encarava com pupilas encolhidas – medo – enquanto Sakura mantinhas encolhida, mas seria – receio.
Peguei um papel, fui lento. Se eu fosse rápido, tomaria socos. Encostei-me à cadeira outra vez e li linha por linha dos termos do divorcio. Não tinha muitos bens, mas os poucos que tinha, seriam vendidos e o dinheiro repartido em dois. Estava preso, então minha parte eu doaria ao meu filho, visto que não tenho família – até tenho, mas ela quer o divorcio.
__ Certo. Assinar. – Falei curto.
__ O que? – O Advogado perguntou.
__ Assinar, como faço pra assinar? Corto meu dedo como aqueles ninjas de desenho? – Ironizei.
__ Anime! – Sakura interveio. A encarei. Ambos nos encaramos e rimos um momento.
Certas coisas não mudariam.
O Advogado pegou uma caneta e me ofereceu. Ele colocaria na mesa, e eu pegaria, mas segurei a mão dele e o encarei.
Eu o assustava. Sabia disso. E assustá-lo era divertido.
Peguei a caneta destampei e posicionei-me para assinar. Após aquela assinatura eu seria um homem completamente sozinho.
__ Sakura... – A chamei observando o papel enquanto iniciava a escritura.
__ Fala... – Ela me soou hesitante, parei e a encarei.
__ Eu amo você. – Sorri e voltei minha atenção ao papel continuando a escrever. Senti os olhos dela em cima de mim.
__ Sasuke... – A ouvi, não olhei e continuei escrevendo lentamente... Continuaria. Parei. Ergui a caneta e a encarei, observei os dois. E sacudi a caneta. Os policiais avançaram em mim e esfregaram meu rosto na mesa.
__ Tentando algo, galã? – Ironiaram.
__ A... Caneta... – Grunhi – Não funciona... – Falei com dificuldade.
__ Parem! Soltem ele! – Sakura ordenou. Os guardas me soltaram.
Me recompus contrariado e devolvi a caneta ao Assustado advogado.
Este desculpou-se e procurou outra na bolsa. Encarei Sakura e ela revidou.
__ Por que fez aquilo? – Ela perguntou entristecida.
__ Como por quê? Era seu aniversário... – Sorri.



__ Você não gosta deles? – Sasuke perguntou em voz alta.
Ele olhou para trás ao não receber reposta. Estava sozinho. Sorriu complacente. Eele a entendia. A viu emocionada a pouco enquanto ele trabalhava e aplicava o óleo sobre o corpo sonolento da vítima, agora que acabara ela perdia o melhor. Era seu presente para ela...
Era lindo, na opinião dele. O corpo acordando aos poucos, meio amarrado, ensebado de óleo, e agora, em chamas.
Rapidamente acordou e gritava ensurdecedoramente.
Pedia socorro, lamuriava-se de dor.
Para Sasuke era uma melodia, era o presente mais lindo que ele poderia dar a sua mulher. Mais lindo.
O homem lastimando-se em chamas enquanto tocava musica clássica. As chamas dançando o desespero de um lado a outro.
Dor.
Dor.
Muita dor.
Sasuke quase sentia pena, mas tinha que dar o presente. Filmou cada momento depois entregaria à esposa para que ela visse melhor.
Aquele em chamas era Itachi.
Irmão de Sasuke.
Itachi namorou Sakura por dois anos. No termino do relacionamento, Itachi não agüentou e surrou Sakura. Embebido por um ódio e desejo sem fim, estuprou-a e deixou-a a esmo no quintal de casa, com os dizeres ‘vá embora’.
Sasuke acolheu Sakura e cuidou dela ajudando-a a depor contra o irmão. Em um ano e meio, ele foi preso. Havia saído há cerca de dois meses e tinha olhos famintos sobre Sakura. Ficou preso por quatro anos. Devia estar com raiva. O que ele não faria com sua Sakura.
Sasuke foi obrigado a tomar aquela providencia.
Conhecia o irmão.
Ele era podre.
Podre de raiva, embebido de uma insanidade ilimitada. Provavelmente o herdou da mãe que há muito Sasuke não tinha notícias. Fora internada e desde então nunca mais ouviu falar. Era natural.
Itachi era louco. Isso! A culpa era dele. Desde que voltou Sakura não dormia em paz. Tinha medo de passar perto de Itachi.
Sasuke a presenteou dessa forma. Limpou a podridão do irmão dando uma morte honrosa a ele. Em chamas.
__ Sasuke!!!! – Ouviu os gritos do irmão – SASUKE!!! – Observou o olhar rubro do irmão ante as chamas.
Era inevitável sorrir. Era uma obra linda. Ele contemplava a pureza do irmão nascendo de cada lágrima evaporada.
Em breve ele não teria mais canais lacrimais.

__ Alô?! – Sakura perguntou desesperada na linha. Olhando para trás volta e meia.
__ Senhorita? – A voz atendeu preocupada.
__ É da delegacia de Konoha? – Perguntou aflita.
__ Sim, algum problema? – A voz perguntou agora mais calma.
__ Er... Eu... Solicito a presença de uma viatura para deter meu marido. – Ela tentava manter-se calma, mas chorava.
__ O que há, senhorita, já rastreamos a ligação e as viaturas mais próximas dirigem-se para sua residência.
__ Tragam uma ambulância... Ele... Ele está sendo queimado vivo...! – Sakura chorou.




__ Era um presente. Só isso. Ele era podre. Você não merecia encará-lo todos os dias. Fiz isso por você, por que não está feliz? – Perguntei.
__ Ele era seu irmão! – Ela indignou-se.
__ E te fazia mal. – Falei, ela pareceu ficar sem jeito, continuei – Você não dormia mais bem, revirava na cama mas não ia mais na cozinha às duas da madrugada pra tomar aquela agüinha gelada da garrafa, não chegava mais tarde em casa sábado, não ficava em casa quando eu saia. Ele a incomodava. E não tinha planos de se mudar. Fiz por você. Ele era um canalha, certo? Você não o perdoou. Somos um só. Por que eu tinha que perdoá-lo e mantê-lo ali se ele fazia mal à melhor parte de mim, você? – Questionei.
__ Sasuke... – Ela começou, mas não sabia o que dizer. Seus olhos pareciam arrependidos, ou surpresos.
__ Aqui, a caneta. – Ouvi o advogado.
Virei para ele, peguei a caneta que ele deixou na mesa e terminei de assinar meu nome.
__ É isso mesmo que você quer? – Perguntei.
__ Não sei... – Ela pôs as mãos no rosto. Começou a chorar – Por que matou ele, Sasuke? Por quê? – Ela debruçou-se sobre a mesa. O advogado ameaçou consolá-la. Pôs as mãos nas costas dela e me encarou aparentemente irritado.
Que ousadia era aquela?
Quem dava direito a ele de consolar MINHA mulher?
Estreitei os olhos.
Tire as mãos de minha mulher. Tire as mãos dela.
Apertei a caneta. Era minha mulher. Minha!
__ Sakura... – Chamei.
Ela ergueu a cabeça.
__ Eu te amo. E você é minha. – Falei firmemente.
Avancei por cima da mesa os policiais seguraram minha perna. Consegui o que queria.
Finquei a caneta em seu pescoço junto com dois de meus dedos. O mindinho e o anelar. Puxei então com força e consegui um pouco do seu sangue e um pedaço pequeno de sua pele, mas escorregou por causa do sangue e ficou pendurado no pescoço.
Os policiais me prenderam, outros entraram e forneceram assistência a ela que agonizava no chão e me olhava em desespero.
Olhei em volta vagamente, o advogada assistia tudo de lado, horrorizado. Sorri e voltei meus olhos à Sakura.
Por que desistiu? Que atitude podre!
Meu irmão agora queima no inferno. Daqui a pouco sou eu, eu vou vê-la de novo e passaremos a eternidade juntos. Ninguém vai tirar minha mulher de mim, nem mesmo ela. Vamos viver eu, ela e meu filho. Nosso filho.
Juntos...
O cheiro forte de sangue me deixava louco.
Era o sangue dela.
Jorrou em mim.
Passei a língua entre os lábios fechando os olhos em deleite.
Salgado... Com um cheiro doce de mulher.

Ela morreu, e em breve seria eu. Eu tomaria pena de morte, mas não queria esperar.
Quando tive a chance, comprei uma briga com os valentões do corredor inóspto. Agora eu era a obra. A obra de um amador.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mathiew - Discussão Três

Podemos conversar?

Quando desejar. Basta que se concentre.

Eu não me sinto bem e achei que conversar contigo resolveria.

Seu medo me diverte.

Você é um sádico.

E tenho a quem puxar.

Sinto-me só.

Eu não estou aqui?

Está mas... Falta algo.

Algo o que?

Algo que preciso ser suprida. Tornei-me mulher.

Eu sei.

Preciso amar alguém, mas todos quem amo recusaram meu amor.

Oh mulher, quem sois para proferir algo a respeito de amor? Sois uma menina com a vida inteira pela frente. Vives numa geração ‘fast food’ e reclama disso, mas queres arranjar a vida tão nova. És tão jovem. Espera, minha criança. Espera, pois ainda há muito que deve ver e aprender, pois tudo o que ver e aprender, há de ensinar aos teus filhos. Se tu deixares de viver para arranjar a vida a dois, ambos serão imaturos. Estragará tua vida e a dele. Ambos precisam viver. Não unir-se-ão tu e teu afeto agora, nem depois, lamento. Mas certamente a mulher que há de pertencer a ele, será muito feliz, bem como teu homem a espera pacientemente colhendo conhecimentos pela vida para ensiná-la a ti. E contigo, aos teus filhos.

É lindo. Mas o que farei até lá?

Espera. Viva, tens a vida inteira. Conheça o mundo, estude, crie, inove, divirta-se, saia, conquiste histórias e amigos, viaje. Te dou ainda dez anos para que pense na vida. Dez anos. A partir daí, serás a mulher ideal, e aí sim poderá cultivar um homem. Aos trinta e cinco, estará arranjada, e se não o estiver, dar-te-ei consolo para que não necessite disto. Aos quarenta e dois, talvez tenha filhos e será linda a geração criada por ti e o homem a qual foi destinado a ser teu. Caso não os tenha, certamente terá muito a ensinar aos filhos de teus amigos, pois nos dez anos que lhe dou agora, conquistará muitos. De agora a parabenizo. Tens uma vida linda. Basta deixar de te preocupar com algo tão supérfluo como a cópula agora.

Obrigada Mathiew.

Agradeça a teu Deus, eu sou só a parte dele em ti, a assinatura dele em tua alma. Esta é você, este é seu Deus. Juntos somos um só.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mathiew - Discussão Dois

Oi...

...

Não posso te dar oi?

Está sentindo aquilo, o que foi?

Você sabe, só queria conversar com alguém...

Sim, eu sei, mas não vejo necessidade de ser comigo.

Quero me achar.

Comigo?

Gosto de você.

Por que te digo verdades? Preocupe-se em gostar de si mesma e então passe a gostar de mim.

Eu gosto de mim.

Pare de mentir.

Só isso?

Seja ignorante com sua mãe, comigo não.

Não sou ignorante com ela.

Seja impaciente com sua mãe.

Só quero conversar.

Pare de se distrair. Fale comigo, ao menos.

Desculpa.

Vai.

Voltei.

Não voltou. O que quer.

Você sabe.

Ok, sei mesmo. É uma ilusão isso que sente.

Falarei com você incontáveis vezes ainda, não é?

É.

Vai passar?

Sempre passa. É só esperar. Você é intensa e afoita. Quer tudo no seu tempo. Se você pensar bem, você é praticamente tudo o que te enoja. Egoísta, fútil, mesquinha. Reflita.

Sou legal.

Sei que é, mas estou falando de assuntos mais profundos que a superficialidade de um sorriso sincero no bom dia pra alguém.

Sou sincera ali.

Não, aquilo, aquele bom dia sincero, você só quer ser enxergada. Você tem complexo de tamanho?

Não fale assim, eu só queria...

Que ‘ele’ te notasse. Por favor, me poupe. Dê um nome a ele.

Que nome dou?

O dele. Tem medo de que leiam isso, não é? Tem medo de ele ler isso.

Na minha cabeça, ele nunca lerá.

Na realidade, ele nunca lerá, não há por que ele ler. Se ele realmente quiser saber sobre você, você já deu todas as dicas. Ele sabe que você tem o blog, ele sabe que lá estão suas realizações. Sabe de tudo isso. E ele não é estúpido. Se ele quiser achar, achará. Para de mentir pra si mesma, para de procurar a chance e inventar desculpas. Você é como a garotas iludida dos livros e das fics, mas não há príncipe encantado. E mesmo que haja, não é agora que descobriu a decepção que vai achar ele. Pule fora. Vou repetir de novo, sei que vou, até que ele diga as palavras com certeza. Talvez ele até queira algo de você. Mas nós dois sabemos que ele está curioso, e quando a curiosidade for satisfeita... Quando foi a última vez que fez crochê?

Tem razão... Eu sinto vontade de chorar.

E o que vai fazer agora. Você já tinha prometido a si mesma que não faria mais textos de amor, poemas e músicas. Fala pra mim, o que é isso que estamos fazendo agora. Quer queira você ou não, você é limitada. Você é fraca. E como pensamos juntos, ontem a noite, você é fácil. Simples assim. Quer discutir mais?

Você é mal.

Não. Você é má.

O que eu faço. Pare de pensar nele. Ou pense até enjoar.

Se eu pensar até enjoar, ficarei mais afim?

Bem, eis a questão, mas evitar te levará a pensar.

Preciso de férias.

Férias inacessíveis.

O que eu faço, eu sou fraca.

Você só é fácil. Tente ser só um pouquinho mais orgulhoso. Só um pouquinho mais mulher e surpreenda todos que pensam como eu. Surpreenda-me.

Desculpe, como faço isso?

Você sabe. Para de me perguntar tudo. Resolva seus problemas. Sozinha. As respostas estão em você, por que recorrer a mim?

Por que eu estou perdida.

Me ajuda.

A que?

A te ajudar.

Eu não sei o que fazer.

Sabe sim. Você sabe. Olha pro lado. Há um livro. Desliga tudo.

Mathiew, socorro.

Não é pra mim que você deve pedir ajuda. Sorria, vá para aquilo que pode te ajudar.

Obrigada.

Por que está agradecendo, se ainda está te doendo?

Foi uma direção.

Alcance a luz, e então me agradeça.

Mathiew - Discussão

Não tem graça... Está queimando, não consigo falar mais... Para... Está doendo... Eu to implorando, o que está urrando, seja lá o que for, pare... Pare... Depressão, o que quer de mim?

Quero teu ser, quero tua alma, quero que sua vida não valha a pena, quero que a entregue a mim, por que eu não tenho, então ladro as alheias.

Seja fofoqueiro, me esqueça, pare... Por favor, ladre outras vidas.

Hm... Talvez eu ladre outras mesmo, o egoísmo ladra a sua. Acho que matei sua solidariedade.

Para de me acusar... Por que? Pare de urrar, não vê que não quero te ouvir? Não percebe que se eu te ouvir urrarei também?!

Você só quer chamar atenção... Então vá lá chame. Dê o seu show. Você quer falar... Fale.

Eu sou imunda.

Sim, você é. Mas não por isso.

Então por que eu sou imunda, depressão.

Por não reconhecer o que ruge em você. Eu não sou a depressão, eu quero a sua vida, eu quero o seu corpo e a sua alma. Sou pior do que imagina: Sou o bem.

Não acredito em você... Não acredito em nada, nem em ninguém... Por que estamos conversando?

Por que você quer respostas... Você quer... concentre-se, e achará... Esqueça todos um pouco, procura aí dentro... Fecha os olhos vai... Fecha...

O que é?

Diga... Chore... Eu quero suas lágrimas também.

Embaçará meu óculos.

Seja cega, o mundo não é lindo. Só os cegos vêem isso.

Eu gosto dele.

E?

Eu quero ele.

Quer mesmo? Ou só quer satisfazer o desejo que ele retribui. Sente-se menos amada quando ele não lhe diz o tempo todo... Mas você quer dizer a ele, para ver se ele dirá de volta...

Eu me odeio.

Você só não fez o certo, deixe-me falar... Anda... Se abra... Me fale...

Pare de gritar...

Me impeça. Grite comigo.

Para...

Por que? Diga, diga, diga...

Para...

Diga, diga, diga, diga, não se impeça, fale, berre, urre... Anda!

É você?

Sim...

Esse arrepio e formigamento de arrependimento.

Sim...

Por que?

Acabou...

Acabou...

Voltou...

É... O que eu faço?

É só com ele?

Sim.

Passará?

Sempre passa... Não é?

É... Quero chorar.

É irreal.

Chorar é idiotice, né?

Não. É pior... É o alivio que você tem medo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um amigo meu, conversando sobre meu pai, disse algo assim sobre ele: 'É idiotice mover-se pelo desafio'

Em resposta, cogitei-lhe oferecer isto:
"Que nada, ele tem objetivos traçados. Só não atura ser desafiado.
Ele seria médico sabe? Doutor em sei lá o que, fez até anglo, sabe? Mas aí, um cara virou pra ele e falou algo assim " ser advogado é dureza, sabe? Não é pra qualquer um. Eu acho que você nem ia levar essa" Prontinho. E aí nasceu o Excenlentíssimo senhor doutor advogado. Só que nem foi aí. Foi quando meu pai falou 'Ok, farei, consigo' E o cara respondeu com a frase mágica 'Vou cobrar.' Batata. Ele trabalhou dezessete anos no correio, fez a carta de demissão mais foda que ja li, deixou toda uma história no lugar, tudo pra não ser cobrado.Tudo para ser seu próprio patrão, pra não ter neguinho apontando o dedo pra ele. Veio pra sampa por isso, por que um primo tirou sarro dele, deu uma surra na minha mãe quando ela desafiou a autoridade dele e botou uma porra duma faca no meu pescoço por desobedecê-lo. Ele é o próprio senhor, do jeito dele. Agora ele trabalha por que quer, estuda por que ama, faz o que der na telha e tem um otimismo agressivo que até me faz sentir bem. Hehehehehe... Não é só o desafio. É a ânsia de ser seu próprio dono, e não um mero pau mandado."

Pai, você pode pode ter sido tudo sabe? Um ser violento, um cachorro louco sem alma, um otimista, um opressor, um rei que merecia ser servido. Um sonhador. Dane-se.
Você foi um ótimo pai. Sua violência me deu exemplo do que quero ou não ser ao meu filho. Sua disciplina é fantasticamente exemplar. Lembro que uma vez eu lhe disse algo assim 'Você machuca as pessoas sem perceber' e tempos depois me peguei matando sorrindo. Você é um bom exemplo, um livro a ser explorado. Eu não te conheço, mas não sou conhecida, eu te conheço e sou uma propaganda num out dor. Eu te amo, seu jovem senhor estúpido e humilde. Eu gostaria que você soubesse, mas não sei como dizer. Você... Deveria saber o quanto o admiro. Sabe, quando eu era tampinha, que estudava no SESI, havia um ponto que dava para ver perfeitamente o prédio do correio. Lembro que pelo menos uma vez por dia eu parava ali e ficava olhando o prédio, meu pequeno segredo. Eu admirava o prédio, por que era seu local de trabalho, era dali que você tirava o meu café da manhã e o dinheiro do meu uniforme... Minha comida, e meu sustento, meu teto e minha passagem... Claro, eu não pensava nisso, mas admirava. Gostava de te olhar dormindo, mesmo que você roncasse alto. Até hoje gosto. Sinto que abrirá os olhos a qualquer momento! Gosto de sua expressão tranquila e amo seu sorriso com seu rosto inchado de sono quando acaba de acordar. Lembro dos seus mil copos de coca que quebrei. Dos castigos e dos abraços. E dos pedidos de desculpa - que para mim, na época eram extremamente cínicos, mas hoje sei que eram sinceros, por que sou violenta e me arrependo de minhas idiotices que faço quando estou com raiva - que você me dava após algum tempo de me bater. Tudo era motivo pra eu apanhar. Acabei sendo uma ovelha ordeira. Agora sou livre, rebelde, desenfreada juventude. Obrigada por ter deixado de ser o opressor que foi em minha infância, para que eu aprecie essa liberdade e cuide de meu filho, tão melhor quanto fui cuidada por sua existência. Eu te amo pai. Muito. Não faço ideia de como te dizer, mas... Eu simplesmente te amo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Acredito que não importa, ou jamais importará, quão boa filha esforçada e aplicada eu seja...



Você é um ótimo pai.







Eu é que sou uma péssima filha. Desculpa. Não sei mais como concertar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Rock And R'oll

Não interessa o significado, não foi feito para ser compreendido. Sua subjetividade é o que compõe o feitiço que atrai tantos fãs. Não é só um solinho de guitarra, murros em baterias ou explosões sanguinolentas de dedos em baixos. É mais do que um ritmo rápido e atordoante, muito mais do que um grito torpe ou o suor no palco. Mais do que sexo drogas e o nome em si.

Rock and R’oll é a união de tudo, é o calor dos fãs gritando as músicas, é o timbre que repercute na área somente exalado pela bateria, são as ondulações da corda da guitarra, é a sutileza do baixo, a delicadeza teclado. A imponência do vocal. Rock and R’oll é o símbolo em chamas, é a despreocupada atitude do roqueiro, é um dedo do meio a cada crítica não construtiva, é o foda-se a quem diz que não aprecia, é o puta que paril a cada novo som estonteante, é o caralho no solo fantástico, é o porra a cada falha, é o que foda que substitui o caralho e o porra. É sorriso sentido apenas de olhos fechados, naquela paradinha básica, e o “Yeah” quando torna a tocar. A explosão de luzes e o consolo da madrugada. É um odor do cigarro para um fumante, o calor da tequila na garganta, o clássico aos cultos ortodoxos, o computador ao nerd, o óculos ao míope, a caneta ao escritor, hieróglifos, pergaminhos e escritos cuneiformes a historiadores, doces ao futuro diabético, xarope a tosse, vacina à prevenção de doenças, carro ao executivo e advogado, farol vermelho ao pedestre apressado, moto ao atrasado, mulher gostosa ao homem, estilo carisma solteirice carência e heterossexualidade de um homem a uma mulher... São os exemplos às coisas que são difíceis de explicar.

É a paixão, é a magia, é o ritmo, é o timbre, é a repercussão, é a letra, é o hard, é o metal, é o psicodélico, é a incompreensão, é o folk, é o grunge, é o descaso, é a simpatia, é a subjetividade. É o sentimento.

Rock não se explica se sente. Não se ouve se aprecia. Não se canta, se grita. Não se comenta se traga. Não se critica: Ou ama, ou é a ralé que nós – roqueiros – ignoramos. Fique calado e respeite quem ama, por que somos obrigados a aturar vocês, seja no ônibus, na rua, em fila de espera, no banco, no carro do amigo, na casa de fulano, no toque do celular da menininha. Merecemos respeito, por sermos incríveis sem vulgaridade, por sermos populosos sem apelações, por sermos fãs sem violência. O que temos que falar, falamos na cara. Somos bonzinhos, até que o solinho do começo acaba.


Ature funkeiro, ature pagodeiro, ature ‘Manolo’ do axé. Não são gírias que compõem nossas letras, não são mulheres seminuas que compõem nosso palco, nem cervejas que divulgam nosso som. Não foram franginhas e androginia que fizeram nossa história. E menos ainda, não foi um ‘I Love you guys’ que fizeram nossos fãs. Nossos ídolos não são de quinze minutos atrás, são lendas. Seus pais conhecem e bem sabemos que vocês respeitam seus pais. Respeitem também.

É velho? Careta? Que ‘tosco’?... Bem, adivinhem quem inventou o ‘foda-se’?

Não estou criticando, embora pareça. Na verdade... Sim é uma crítica, não preciso usar máscara pra dizer isso: Parem de acusar, de criticar, como se fossem melhores, pequenos ‘apelões’ amadores. Se vocês fossem bons, se seus ídolos fossem bons, eu conheceria algum funkeiro, pagodeiro ou ‘Manolo’ do axé de dez anos atrás. Do ano passado, ainda. E vocês, se lembram quem foi tão foda quanto meus ídolos? Estreito os olhos e riu de sarcasmo a sua falta de cultura ou real interesse. São fãs que morrem por crianças andróginas, quando esses nem sabem que vocês existem. E nós? Apreciamos o trabalho dos nossos ídolos, mas sabemos que ele é tão mortal quanto nós, e lamentamos suas mortes, por que não ouviremos mais seus bons trabalhos. Não nos suicidamos. Ao menos ambos vão pro inferno. Eles por cantarem vulgaridades – ou lixos mesmo – e divulgarem, e vocês, por que essas suas almas corrompidas pertenciam a Deus, e vocês ficam aí dando ao diabo de graça – a quem pedir também, né suas putas?

Sim, odeio. É funkeiro? Pagodeiro? Fã de axé... Como chamo os vadios que curtem axé?! Enfim, se for esses ou ainda aquelas fãs histéricas que dariam a pouca bunda que possuem – por isso não são funkeiras – para o bibinha andrógino de cabelinho playmobil, poupai o não esdrúxulo que planejo oferecer, não adicione. Eu falaria sobre o arco-íris vivo, mas como tenho medinha de ser ofendidinha no twiter – que nem tenho por isso as críticas... Ofensas, vocês não sabem o que é crítica... Serão maiores – eu resolvi não falar... Se falarem mal de mim pelas minhas costas, no mínimo respeitam minha presença, suponho. De qualquer forma, aqui reside meu foda-se geral.

Desculpe, eu precisa falar, não agüento mais baitolagem forçada aqui. Nada contra gays e lésbicas... E bis. Sei que tem muita gente fina com opção sexual diferente da minha. Por isso, gays são gays ou homossexual, lésbicas são lésbicas, ou homossexuais, bis são bis, ou simpatizantes. Agora baitolas são essas drogas incapazes de pensar, pois o cérebro foi consumido por viadagem, putaria, violência e... Ah... As hipocrisias não têm fim, vocês entenderam.


P.S.: Se for criticar a porra que é o sistema, lembre-se que tenham em mente soluções ou melhorias plausíveis, para que pensemos que ao menos vocês sabem o que significa um sistema ser fodido, tenham todos uma ótima manhã, tarde, noite, madrugada. Se for fã dos alvos de minhas críticas, tropece num penhasco e caia de boca numa pedra, ou perto da toca dos lobos.