Oi...
...
Não posso te dar oi?
Está sentindo aquilo, o que foi?
Você sabe, só queria conversar com alguém...
Sim, eu sei, mas não vejo necessidade de ser comigo.
Quero me achar.
Comigo?
Gosto de você.
Por que te digo verdades? Preocupe-se em gostar de si mesma e então passe a gostar de mim.
Eu gosto de mim.
Pare de mentir.
Só isso?
Seja ignorante com sua mãe, comigo não.
Não sou ignorante com ela.
Seja impaciente com sua mãe.
Só quero conversar.
Pare de se distrair. Fale comigo, ao menos.
Desculpa.
Vai.
Voltei.
Não voltou. O que quer.
Você sabe.
Ok, sei mesmo. É uma ilusão isso que sente.
Falarei com você incontáveis vezes ainda, não é?
É.
Vai passar?
Sempre passa. É só esperar. Você é intensa e afoita. Quer tudo no seu tempo. Se você pensar bem, você é praticamente tudo o que te enoja. Egoísta, fútil, mesquinha. Reflita.
Sou legal.
Sei que é, mas estou falando de assuntos mais profundos que a superficialidade de um sorriso sincero no bom dia pra alguém.
Sou sincera ali.
Não, aquilo, aquele bom dia sincero, você só quer ser enxergada. Você tem complexo de tamanho?
Não fale assim, eu só queria...
Que ‘ele’ te notasse. Por favor, me poupe. Dê um nome a ele.
Que nome dou?
O dele. Tem medo de que leiam isso, não é? Tem medo de ele ler isso.
Na minha cabeça, ele nunca lerá.
Na realidade, ele nunca lerá, não há por que ele ler. Se ele realmente quiser saber sobre você, você já deu todas as dicas. Ele sabe que você tem o blog, ele sabe que lá estão suas realizações. Sabe de tudo isso. E ele não é estúpido. Se ele quiser achar, achará. Para de mentir pra si mesma, para de procurar a chance e inventar desculpas. Você é como a garotas iludida dos livros e das fics, mas não há príncipe encantado. E mesmo que haja, não é agora que descobriu a decepção que vai achar ele. Pule fora. Vou repetir de novo, sei que vou, até que ele diga as palavras com certeza. Talvez ele até queira algo de você. Mas nós dois sabemos que ele está curioso, e quando a curiosidade for satisfeita... Quando foi a última vez que fez crochê?
Tem razão... Eu sinto vontade de chorar.
E o que vai fazer agora. Você já tinha prometido a si mesma que não faria mais textos de amor, poemas e músicas. Fala pra mim, o que é isso que estamos fazendo agora. Quer queira você ou não, você é limitada. Você é fraca. E como pensamos juntos, ontem a noite, você é fácil. Simples assim. Quer discutir mais?
Você é mal.
Não. Você é má.
O que eu faço. Pare de pensar nele. Ou pense até enjoar.
Se eu pensar até enjoar, ficarei mais afim?
Bem, eis a questão, mas evitar te levará a pensar.
Preciso de férias.
Férias inacessíveis.
O que eu faço, eu sou fraca.
Você só é fácil. Tente ser só um pouquinho mais orgulhoso. Só um pouquinho mais mulher e surpreenda todos que pensam como eu. Surpreenda-me.
Desculpe, como faço isso?
Você sabe. Para de me perguntar tudo. Resolva seus problemas. Sozinha. As respostas estão em você, por que recorrer a mim?
Por que eu estou perdida.
Me ajuda.
A que?
A te ajudar.
Eu não sei o que fazer.
Sabe sim. Você sabe. Olha pro lado. Há um livro. Desliga tudo.
Mathiew, socorro.
Não é pra mim que você deve pedir ajuda. Sorria, vá para aquilo que pode te ajudar.
Obrigada.
Por que está agradecendo, se ainda está te doendo?
Foi uma direção.
Alcance a luz, e então me agradeça.

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