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domingo, 13 de maio de 2012

Partituras de Sangue - 12°

Esta história NÃO é de minha autoria. 'Como assim tia ross?!' Seguinte, um amigo meu fez esta história e me mostrou. E a história, como vão conferir, é incrível! E bem a cara do tipo de história que eu faria, então topei publicar aqui... Como sabem, não publico nomes de ninguém, apenas apelidos que definem ou realmente pertencem a estas pessoas. Com este amigo não será diferente, ambos somos de maior e responsáveis por nossos atos, mas, se por ventura vieram a divulgar em outro site ou ainda como sua própria autoria fora deste blog, está aqui salvo no pc, sem alterações com datas, ou ainda esta postagem ou bla bla bla... Então, senhor Décimo Segundo, aqui está a sua história que eu realmente, realmente amei, sem alteração alguma, então se houver erros - que nem tive tempo de ver, já que a historia é ótima e não prestei atenção nisso - a culpa é sua ♥. Que venha a história!

Partituras de Sangue


Pulmões, rins, intestinos, figado, estômago, coração... A cada corte, posso ouvir cada um deles se rompendo e inundando-se de sangue enquanto meu humilde voluntário agoniza fazendo uma harmonia suave para esta linda musica que é sua morte. Sempre conto quantas incisões consigo fazer em seus corpos até o sangue começar a jorrar do primeiro corte. Meu recorde foi de 49 cortes. Gosto de números. Que eu consegui contar, até hoje foram 8 anos de “composições”, 5 cidades, 186 voluntários e o mesmo número de composições.
Me orgulho de manter os voluntários conscientes durante a sinfonia, deixando-os ansiosos para o Grand Finalle. De fato, eles até imploram para ver o fim do espetáculo, o qual, claro ,eu só encerro quando ouço o último pedido, a última súplica antes da inconsciência que precede a morte os tomar por completo.
Comecei minhas composições com um garoto implicante do meu colégio, um dos muitos tiranos que habitavam aquela fossa. No intervalo após a aula de biologia eu ainda estava na sala. Ele apareceu para minha dose diária de dor. Ele se aproximava de maneira intimidadora e vagarosa, eu recuava, vasculhando as mesas à procura de algo que me salvasse, que ao menos me protegesse. Senti um corte no meu dedo. Um bisturi usado para dissecações jogado na mesa. “Era tudo que eu precisava”, pensei. O que me lembrava momentos depois foi apenas do rosto de meu agressor cheio de cortes. Minhas mãos frias ainda estavam se acostumando com o calor do sangue que me ensopava dos pés a cabeça. Fugi a principio. Ao ver a matéria no jornal e as fotos do corpo que a acompanhavam, percebi certos padrões sutis que me soavam como uma leve e fina melodia. A memória da excitação que sentia enquanto retalhava aquele lixo me voltou a mente. Me senti reconfortado, como se tivesse acordado de um sonho que deixou uma sensação boa. Afinal, me livrei do meu opressor. Ninguém sentiria sua falta e além do mais, o rosto dele parecia tão tranquilo e sereno depois de morto. Estava até sorrindo, claro que com uma ajuda minha.
Decidi naquele momento que deveria compor mais, afinal um talento musical como o meu não deveria ser desperdiçado. Compus sinfonias mais elaboradas e sublimes. Meu instrumento não mudou desde aquela época. Aprendi a “afiná-lo” com perfeição.
Hoje, tenho mais de 180 composições. Uma mais esplêndida e tocante que a outra, e me certifico de que elas sejam conhecidas e apreciadas, pois desde que me formei eu trabalho de fotógrafo profissional para os jornais da região. Tento manter o controle e discrição em meu ambiente de trabalho. Uma garota do jornal parece se interessar por mim, eu por outro lado, estou interessado em saber que tipo de “som” ela poderia me propiciar. Meu atual chefe é outro. O som de sua respiração pesada e ofegante me lembra o som forte de tambores, ele realmente deve fazer uma bela musica.
Ultimamente, adquiri o costume de estudar meus próximos voluntários. Minha sinfonia mais recente foi feita com a colaboração de uma moça esnobe que conheci quando fui fazer compras.  Ela esperneava, gritava e não se importava de causar um alvoroço na loja. Eu a segui depois desta cena. Ela era uma mulher sistemática. Não deixava nada fora de lugar. Para ela,tudo seguia um padrão, uma ordem,. Ela tinha mania de limpeza e por causa dessa sua obsessão por uma ordem se sentia mais “limpa” que o resto do mundo, quando na verdade o oposto se aplicava a ela. Estava cada vez mais entusiasmado a cada dia que eu a vigiava. Quando finalmente a trouxe para fazer minha musica, estava tomado por um frenesi tamanho que só não me reconheceria se não estivesse acostumado com minhas composições. A levei para um parque. A acústica lá era boa. Tirei lhe a mordaça para começar seu aquecimento vocal. Ela engasgava ao balbuciar um pedido de clemência enquanto chorava histericamente. Me aproximei sem movimentos bruscos e dei lhe um breve beijo na testa seguido de um beijo um pouco mais longo nos lábios. Seu espanto era tamanho que não conseguia nem esboçar reação. Parecia reconfortada, deve ter pensado que a pouparia do que vinha a seguir. Confesso que fui um tanto ousado ao fazer isso, mas fazia questão de mostrar um lado mais humano de minha pessoa antes de apresentá- la ao inferno. Dos lábios segui até seu ouvido e sussurrei.
-Não se preocupe, se você não se mover muito isso pode acabar rápido.
Seu olhar ficou tão distante e perturbado que pensei que a tinha matado só com esta frase. Eu sorri. Aproximei meu estojo de instrumentos dela.
-Qual você prefere? Olhei calma e cinicamente para meu estojo e em seguida para seu rosto. A expressão caótica ainda não a tinha deixado e seu silencio continuava.
-Entendo, disse sorrindo, -você quer que eu faça as honras? Fico lisonjeado com sua confiança em meu julgamento. Vejamos... Eu analiso a ponta de cada bisturi -Acho que o “fá sustenido” será de bom tamanho.
Tiro do estojo um bisturi artesanal com uma clave de “fá” Gravada no cabo lustroso de madeira.
-Bom, algum comentário antes de começarmos o espetáculo? Me aproximo para ouvir suas últimas palavras em sanidade plena. A vontade de viver lhe vem a tona e numa tentativa desesperada ela tanta me arrancar a orelha fora com os dentes. É inútil. Eu me adianto e  finco meu bisturi entre a nona e a décima costela da direita. Ouço o ar vazando para fora de seu pulmão enquanto o mesmo se afoga de sangue.
-Gosta de ir direto ao assunto, não? Bem, darei ao publico o que ele pede! Eu a retalhava com a precisão de um maestro. Os cortes cada vez mais profundos me deixavam mais e mais excitado com a minha música. Aposto que era assim que Beethoven se sentia ao compor suas sinfonias. Ela começou a gritar depois do 30º corte. Se me lembro bem este foi na sua barriga, na altura de seus rins. Seu olhos já perdiam o brilho na altura dos 45 cortes. Seus ferimentos já começavam a sangrar. Eu estava me divertindo tanto com esta composição e tinha que fazer o Finalle tão de repente? Eu não podia deixar isso acontecer! Por um breve momento me descontrolei e deixei as incisões mais profundas. Seus gritos ficaram cada vez mais altos e ecoavam por entre as árvores daquele parque deserto. A música sempre fica mais estrondosa antes do final suave. Ela se soltou das amarras e segurou a manga de meu fraque. Sua face parecia afundada numa agonia tão forte que quase pude sentir sua dor. Ela tentou mais uma vez apelar para meu lado humano. Em vão. Suas palavras não me soavam mais que simples arranhões no violino desafinado. Finalmente a silenciei com um corte profundo na garganta. O sangue jorrou de seu pescoço e até me acertou perto dos olhos. Foi o ápice do meu êxtase! O corpo dela já não tinha mais som, enfim tinha feito mais uma composição perfeita! Aproveitei os cortes no abdômen e finquei minha caneta tinteiro em suas vísceras. Peguei de minha maleta uma folha de partitura em branco. Olhando atentamente seus cortes, eu fui escrevendo, nota após nota, o maravilhoso espetáculo que acabara de criar. Para finalizar, assinei no corpo minha marca, a clave de fá encravada no bisturi agora também estava na carne da minha voluntária. “Onde colocaria a marca?”, pensei por um ou dois segundos. Seria muita ousadia fazer a ultima marca nas nádegas ou coxas. O mesmo vale pra os seios ou a barriga. Decidi por fim faze a marca em sua bochecha esquerda. Parei um segundo para contemplar minha obra, agora iluminada pela lua cheia da meia noite. Voltei para minha casa deixando o corpo para ser achado pelos policiais da região. Em meu sótão, eu vasculhei entre meus instrumentos procurando aquele que melhor podia expressar minha nova melodia. Peguei um Violoncelo e me pus a tocar minha nova aquisição. Nas ultimas noites tenho vigiado minha futura partitura para saber a melhor hora de começar a compor. Por falar nisso, da vista de sua janela posso notar que seu quarto é muito cheio de personalidade. Você tem um senso de decoração sublime! Aposto que vai me fazer uma ótima melodia...

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