Pode alimentar meus peixes? Tenho estado sem tempo. É só clicar, eles seguem a seta ♥

Quem sou eu

Minha foto
Putz... Olha pra QUEM você pergunta... Mas, se for pra dizer quem eu sou eu digo... Reticências. Reflita. Me leia. Reflita...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Máscaras II

Máscaras

– II –


Doces máscaras enfeitam o mundo como se fosse um eterno carnaval. Não acredito em muitas coisas e nem espero algo mais depois do ‘momento’.
Eu deveria acreditar, acho... Mas não. Não acredito. Amor? Cruzes, isso existe? Não boto fé em quase nada... Quase nada...
Gostaria que tudo acabasse e o céu caísse. Contanto que eu estivesse dormindo. Sonhando com meus pesadelos de sempre. E quando o sonho acabasse o mundo teria ido junto. Daí, talvez, com tudo acabado, tudo o que eu sonharia seria bom. Já que seriam lembranças de algo que nunca mais veria.
Uma pena de um pombo que alçou vôo. Uma pedra que um garoto jogou contra um portão. As varias moedas que existem no mundo. Dezenas de pessoas que conheço. Os sorrisos que tanto me alegraram a cada reencontro. As páginas das revistas que me distraem. As notas ruins nos históricos podres. A carreira que nunca terei, já que não há futuro... Não há nem um ‘eu’.
É...
Tudo seria um sonho bom. Pesadelos seriam miragens... Perseguições, estupros, assaltos, mortes de pessoas queridas... As próprias mortes. Fim.
Mas não há nada disso.
Há apenas uma nova máscara que exibe cada olhar em cada início de dia.
A pessoa no espelho, a primeira pessoa a quem você olha no dia. O primeiro cumprimento. Tudo uma grande mentira. Não há sorrisos perfeitos, olhares sinceros ou metas nobres. Tudo é uma grande mentira. Tudo é um grande monte de falsidade, interesses... Orgulho tolo e invejoso.
Mentiras.
Fazem da verdade uma pepita pura e lapidada.
O próprio ouro, puro e lapidado, é feio. Fraco. Mas vale tanto mais do que um perfeito anel de ouro branco. Enfeitado, talhado com tribais atraentes, conquistando mulheres e produzindo mais sorrisos falsos. A felicidade deveria residir no “Case-se comigo”, não no anel caríssimo. A felicidade no pedido só reside em mentes voltadas ao cinema – mentiras que existem para entreter o público e/ou estimular novas mentiras.
É tudo tão falso. Tão patético. Mentira em cima de mentira.
Não acredito em nada.
Sem ponto de exclamação ou reticências.
Não há verdades. Só mentiras. Uma criatividade inigualável. Ganha o mais mentiroso, ganha a grande idéia, ganha quem tiver mais ganância... Não mais ambição.
Tenho nojo de tudo isso. Tudo.
Você passa a sua infância vendo e aprendendo sobre o grande teatro que é o mundo. Na adolescência, você aprende a moldar uma máscara que chamam de ‘profissional’. Assim, quando você for adulto, você poderá usar essa máscara pra esconder seu caráter.
E adivinhe: Seu caráter é podre. Por isso você precisa da máscara.
Por que é podre?
Por que quando você é uma criança, você tem apenas uma mente aberta. Aberta para capturar, da forma mais rápida que conseguir, a idéia que o grande teatro – mundo, se preferir – quer passar. Na adolescência, você é um completo perdido. Você não é ninguém. Aqueles que usam máscara têm a função de te ensinar a moldar sua máscara. Conviver com um ator do grande teatro, te ensina a manter a mente aberta para capturar a essência do ator. Automaticamente você aprende a ser essa essência, afinal você não é ninguém. Capturando essa essência, você já tem a malandragem – instrumento essencial ao exímio mentiroso (profissional, se preferir) – para usar a máscara que vai criando.
Então agora você é um adulto – nesse caso, também profissional – completo e moderno.
É tudo o que queriam que você fosse desde que te exibiram o grande teatro na primeira vez.
Profissional. Mentiroso. Ator. Malandro.
O incrível mascarado.
Melhor que ontem e rezando pra ser alguém amanhã. Hoje, você é o fruto de um atual derrotado – mas ontem, ‘ele’ foi o profissional ator malandro. Só mais um mentiroso. – O que tem de tão especial amanhã? Outra máscara para vestir.
Outra função do profissional, além de instruir ex-crianças de mentes abertas a construir suas máscaras, é fazer máscaras melhores.
Sorria seu mais sincero sorriso. Mas não se esqueça de fazer isso logo após seu pai ter morrido de AIDS e tê-lo visto apodrecer VIVO no hospital. Chore copiosamente após ver uma cidade explodir por conta de uma bomba atômica minutos depois de ouvir seu afeto te pedir em namoro no restaurante mais romântico de Paris. Não faça porra nenhuma assim que ouvir que acharam a cura d câncer cerebral após voltar do enterro de sua mãe e saber que sua filha também tem. Mas fique tão eufórico quanto uma criança débil mental após ver uma aranha ficar pendurada por um fio que ela mesma fez, um metro e meio abaixo do teto, entre você e a TV na casa daquela tia que você só soube da existência hoje de manhã.
Exímias mentiras.
Ganhei na loteria. Fui pedida em namoro. Eu realmente amo você. Adoro quando você diz meu nome. Nossa como eu odeio chocolate. Não bebo refrigerante. Amo salada. Eu gosto de cuidar da jaula dos animais. Hoje foi o melhor dia da minha vida.
Vai ficar tudo bem...
Exímias mentiras.
Sabe, devia haver uma música disso tudo! É! Mas não há.
Também não há uma animação sincera nas exclamações acima. Mas há mentira. Há a maestria de uma máscara. E eu sou apenas a aprendiz disso. Eu sou só a ex-criança. Estou construindo minha máscara.
E a odeio antes de costurá-la em meu rosto.
Todos os dias a uso. E está pertíssimo o momento em que pegarei uma agulha e sangrarei lágrimas ao costurá-la permanentemente no meu rosto. E isso logo após arrancar o meu rosto! Não interessa quantas exclamações eu use: Não há animação.
Quer verdades? Ouça clássicos que não têm letra. Veja Van Gogh ou Victor Vassaréli. Procure as imagens na aurora boreal. Ou a ilógica na matemática. A razão no empirismo, ou o empirismo na razão.
É tudo uma grande mentira. E se foi mentirosos que tocaram, fizeram ou disseram isso, são mais mentiras. Uma pilha delas.
A diferença é que, ao menos, eles costuraram a máscara por cima do rosto. Não perderam nem passaram por cima do próprio caráter para usá-las. Mas obviamente, a sociedade os reprimiu. Só por dizerem a verdade.
A mentira é um grande pecado.
A sociedade se move sob mentiras.
Logo...



Uma máscara

Futura profissional provida de máscara
E
Falta de caráter.

Máscaras

Eu as detesto.
Todas me enjoam!
Boas, ruins, acolhedoras ou devastadoras... Foda-se. Eu as odeio.

Alegres, tristes, dramáticas, raivosas, sanguinárias, horrendas, sorridentes, felizes, pacíficas... Em geral e sem exceção, mentirosas.

Posso falar delas o tempo todo, mas não posso deixar de citar que as uso. Não é por opção. Usar máscara é uma obrigação. A sociedade impõe isso. Sim, como não? “Como você está? – alguém pergunta num sorriso e educação automáticos” “Bem, e você? – Outro responde com o mesmo sorriso e educação automáticos, isso quando ainda diz o obrigado, como não foi o caso. É bom lembrar que este senhor que está ‘bem’, perdeu a mulher para o amigo enquanto hipotecava a casa por dívidas de jogos e da própria casa, tem cirrose e inicio de câncer pulmonar dado o cigarro, a ex-mulher é estéril e está ficando calvo e impotente, por que o barril de cachaça que ainda chama de barriga e os fios brancos da velhice chegaram mais cedo”.
Amaldiçoada sejam as máscaras, que são o adorno mais comum na sociedade.
Amaldiçoada sejam as pessoas, que aceitam isso em silêncio e acham isso prático, rápido, proporcional à geração “fast food”.
Ora, e se a conversa muda de rumo?
“Como você está? – Alguém pergunta naquele mesmo sorriso e educação com vida própria que surgem assim, instantaneamente.” “Sabe... Eu gostaria de dizer que estou bem, mas não estou. – O outro fala francamente, com ar cansado e abaixando a cabeça humilhado pelos problemas que a vida, somado as suas escolhas ruins, lhe impôs.” “É mesmo? O que foi que houve? – Alguém se interessa rapidamente e estreita os olhos inclinando a cabeça buscando atenção ao problema do colega.” “Bem... É que, como pode ver, estou velho... Fui demitido essa semana. Cheguei mais cedo em casa e peguei minha mulher com meu amigo. Frustrado, fui jogar e beber um pouco, mas perdi tudo. Com isso, não agüentei... Só sei que acordei no hospital. O doutor disse que estou com câncer por culpa do cigarro e cirrose por conta da cachaça... Voltei pra casa à base de aparelhos pra ver minha ex-mulher jogar na minha cara que iam hipotecar a casa. Depois disso foi embora. Após tomar uma lata de cerveja fui me divertir sozinho com um filme pornô... Estou ficando realmente velho... Sabe... Não sei o que fazer... Estou perdido e hoje de manhã mandaram o pedido de mudança...” “Ora, é mesmo? Por que não jantamos juntos e você me fala a respeito, hm? Agora tenho uma reunião importante com os sócios da empresa em que trabalho. Está com cara de que vou ser o novo sócio deles! Oh, não vai dar... Terá que ser no almoço, pode ser? Hoje jantarei com minha esposa... E nossa pequena Katy... Sabe que ela está grávida de novo? Estou feliz e realizado, mas... Boa sorte para você, cara... Estou torcendo por você.”.
Não é engraçado como as coisas são?
Ninguém é sincero. O cara estava feliz. Foda-se que o outro está mal, contanto que a merda de vida dele não seja contagiosa, está tudo bem, ele ainda terá a mulher, a pequena filha e a criança que ainda não nasceu. Terá o tal cargo de sócio e um jantar apetitoso à noite. O amigo dele está mal, ele pode até se incomodar com isso, mas... Mesmo que ele se incomode, a mulher o distrairá quando ele pensar nisso e comentar com ela na cama, e logo em seguida transarão muito e acordarão com sorrisos dispostos cumprimentando-se com um suave beijo sem se lembrar que o outro existe. Claro, isso se apenas lembrar-se de comentar com a mulher do amigo. Caso contrário, pularão para a troca de calor mútua.
E o outro?
Bem, procurará emprego, mas sua aparência que lhe dá mais idade que tem não ajudará. Ao voltar pra casa, derrotado, seus móveis estarão fora e a mulher estará com o outro querendo apenas as coisas mais caras. Se ele não pular na frente do primeiro carro, passará a noite num túnel abandonado da cidade, onde apenas pessoas da mais baixa classe e totais excluídos sociais estarão. Ao lado de uma chama rala e que não os esquenta muito mais que o papelão ou a roupa suja e rasgada que usam. Jogarão dados e apostarão o último pedado de pão embolorado, isso se o gato malhado não roubar antes.
A vida é tão engraçada. Durante o jogo, esse outro alguém comentará entristecido, invejosamente e raivoso a sorte do outro. “Agora ele deve estar com a esposa grávida e a pequena filha...” “Tenho certeza que aquele canalha está voltando pra casa, num carro do ano, modelo novíssimo!”, e enquanto tenta dormir ignorando o vento gélido e úmido deitado no papelão molhado, pensa “Aquele maldito... Deve estar se aquecendo no corpo da mulher...”... Bem, e quando acordar, se não morrer durante a noite, tossindo como doido ou de frio, rezará pra encontrar migalhas e comer... Migalhas de pombos...
Claro, ele terá alguns trocados, mas perderá nos jogos matinais, garantindo o café de alguém e perdendo o seu.
A vida ainda é engraçada.
O que diabos máscaras têm haver com isso?
Ele não teria tanta inveja e raiva do amigo se parasse no falso “Bem, e você?”... A pequena Katy não seria órfã de pai, dois anos depois. Nem a empresa iria à falência por conta da perda do sócio mais importante, ou a mulher dele ficaria na culpa por isso.
Hilário, não?
Mascaras... Um mal necessário.
Claro, fui dramática.
Mas ainda as odeio.
Uso-as, não por conta própria... Mas se eu não usá-las, o que pode acontecer? Se eu for sincera o tempo todo, o mundo cairá. Serei excluída socialmente. Somos impedidos de sermos nós mesmos. Ser excluído socialmente é quase tão ruim quanto a prisão.
Bom, dane-se.
Não faz diferença, é só uma opinião que encerro sem fim...
Não posso ser sincera, lembra?
Ainda preciso da sociedade, estritamente para garantir a minha vida e manter as pessoas que prezo perto de mim, garantindo assim minha sanidade e economizado gastos hospitalares para a minha família.

Essa é só uma velha despedida.

Dor, desespero... Medidas desesperadas ocasionam, na esmagadora maioria das vezes, decepções e arrependimentos.
Acabou.
Perdi algo curiosamente importante.
É incrível como algo escandaloso te marca mais que uma doce sensação.
Perdi algo importante pra mim... E a última coisa que me aproximava dessa pequena coisa, esvaiu-se de minhas mãos. E eu não fiz nada. Nada.
Curioso como deixei algo tão importante ir, não?
E talvez tenha sido até melhor assim...
Bem melhor...
Livre de um fardo... Livre de momentos felizes e lembranças agradáveis...
Acabou...

Doce sensação, agora você é apenas uma lembrança agradável... Eternizarei você em minha memória, e o levarei comigo nesta última vida.
Perdão pelos meus erros grotescos... e agradeço, humildemente, por tê-lo conhecido.

Obrigada por tudo.

Adeus...
Era sua voz, era seu rosto, era aquele pontinho no alto da maçã do rosto... Eram seus lábios grossos e secos, suas mãos grandes e levemente ossudas, seus braços finos e seu cabelo perfeitamente preto. Seu penteado redemoinho perfeito, seu rosto infantil e seus olhos asiáticos, sua pouca estatura e seu jeito engraçado, seu bom humor e sua sensibilidade oculta, sua inocência no olhar negro e o último nome que eu nunca lembro, e, claro, aquela forma única de chamar meu nome dando o ar oxítono ao meu nome dissilábico paroxítono... E ainda procuro qualidades e características... Em meus dias tristes, você me fazia sorrir. Eu não te dei valor em um mês, mas te amei pelo resto do tempo, mesmo quando deixei de te ver...
É errado eu ter dezessete anos e acreditar que sei o que é amor só por que senti uma atração pelo mesmo cara durante oito anos e continuo sentindo?
É errado eu dizer que, gostei de vários outros – Admirei incontáveis belezas, beijei, fiquei e, secretamente, namorei – e ainda assim dizer que trocaria todos por ele?
Quer dizer que isso não é amor?
Eu não sei o que é.
Uma obsessão doentia?
Sim, fui obcecada, cometeria loucuras, eu notei. Desde coisinhas patéticas como uma reza de momento para ele me notar até mandingas de revista ou mesmo oferecer meu corpo.
Se ele era mesmo tão incrível quanto eu acho que ele era, com certeza ele não toparia.
Não sei o que eu faria se eu o visse agora, depois de dois anos e meio. Acredito que você não tem mais aqueles perfeitos olhos negros e inocentes, sua voz talvez tenha mudado, e com certeza você deu algum jeito no seu cabelo bizarro que eu amava... Como eu amava... Você até está mais alto, eu creio. Mas, não é o Meu moleque. Não é o cara que eu supostamente amei, ou foi o objeto de minha obsessão. Não sei mais quem é você.
E ainda assim, continuo te amando.
Eu cometi a idiotice de ser preguiçosa.
Neguei à minha melhor amiga a única ajuda que eu poderia fornecer a ela.
Como fui estúpida!
Se eu soubesse da dor dela... Se eu tivesse escutado o apelo dela... Se eu tivesse ouvido àquela voz dentro de mim... “Leia... Leia... Escute, com atenção e piedade... Mas, por favor, escute... Pelo bem da sua mente, quando você resolver ler aquilo tempos depois”...
Minha mente estava certa.
Eu deveria ter lido aquele apelo.
Deveria ter dito o “Está tudo bem... Se não está, vai ficar.”
Agora... Tanto tempo depois... Li.
Senti como se meu corpo formigasse. É o que sinto quando estou mal... É uma agonia física sem causa alguma que não a mental. É a dor do arrependimento e o tapa com luva de pelica do passado grosseiro.
Querida, me perdoe. Do fundo da minha alma, perdão.
Gostaria de ter ouvido seu apelo antes... Fui uma das imbecis que tapou os ouvidos... Distraí-me com nada. Fui egoísta por algo insignificante.
Perdão...
Eu poderia ter te abraçado, te dito que te amava... E acima de tudo, ter dito que tudo iria ficar bem... E o seu precioso motivo? Não, eu não poderia dá-lo... Mas poderia lhe dizer que, ainda que não tenha motivos, você não estaria sozinha. Você não era vazia como um chaveiro fofo. Era amada, possuía amigas, alguém que se sentia completa com a sua presença.
Mas não fiz nada disso...
Nada...


Ela fechou o diário após alguns minutos, guardou a pena e fechou o pote de tinta.
Deixou-os sobre a mesa de cabeceira e o diário, fez questão de guardá-lo num fundo falso que a gaveta possuía.
Apagou o abajur puxando uma delicada cordinha que pendia dele.
Confortou-se, de lado, na cama.
Completamente coberta no macio edredom e com seu hálito aquecendo seu rosto, graças à clausura do edredom, adormeceu lentamente enquanto perdia-se na ilusão de sua mente arrependida.
Debaixo de seu travesseiro, havia guardado o papel que havia imprimido debaixo de seu travesseiro. Junto ao papel, agora, havia sua mão, zelando-o, com carinho e hesitação.

Eu

Paz é aquilo que a gente sente quando não temos nada em mente. Talvez seja o completo silêncio. Acredito que o completo silêncio seja impossível sem antes haver uma morte.
Acredito que todas as pessoas raramente são elas mesmas. Todas usam máscaras para viver num meio social. Se elas revelassem quem realmente são talvez assustassem outras pessoas. Todos usam máscaras para serem ‘normais’ perante a sociedade e livrarem-se do fardo de serem estereotipados.
Acredito que as pessoas com quem mais nos identificamos nesta vida, sejam pessoas conhecidas de outras vidas. Quanto mais íntimo você é de alguém, mais próxima foi sua ligação com esta em outra vida.
Acredito que o ser humano vive 144 vidas antes de ir ao céu de fato. E em cada vida, ele nasce sob uma constelação diferente, também num mês diferente. E a cada vida renascida, trás consigo a experiência das anteriores e a ansiedade de viver esta e as próximas.
Acredito que se todas as nossas células esvaíssem-se com o tempo, e a carne perecesse e a mente silenciasse, sobraria um resquício de existência. Este é o anjo. É o pedaço de Deus em nós.
Acredito em Deus.
Acredito que Deus reside dentro de cada um, não que cada um seja um Deus. Acredito que esse pedaço que constitui a mente e nos dá essa liberdade de pensar, duvidar, e existir seja o Deus em nós.
Acredito que a música é o melhor remédio que o ser humano pode ter acesso.
Acredito na energia que o grito libera. Que isso tira todo o excesso ruim em nós e deixa-nos apenas aquilo que nos é.
Acredito na beleza das flores. No carinho das folhas e na integridade dos insetos. No amor das aranhas, no mistério da raia, dos dias frios de verão e nas chuvas de outono. Também creio no amanhã e em minha imortalidade. Creio na minha juventude e a aprecio deixando para amanhã por que sei que sou eterna, ainda que eu não seja.
Deleito-me das letras e brinco com versos abstratos, trago surrealismos e fumo tristeza na TPM. Embriago-me com lágrimas e curo minha ressaca com chocolate quente mexido com sorrisos.
Meus livros prediletos são o reflexo no escuro dos olhos verdes do meu finado cachorro e a intensidade do amarelo dos olhos da minha finada gata. E minha música predileta é a primeira sinfonia dos pássaros em cada manhã.
Meus maiores sonhos são varias cores, que misturadas, tornam-se outras.
Mas meu objetivo é preto. Um grande ponto preto no centro do mundo branco.
Adorno meu corpo com água pura, terra fértil e brisa travessa. Penteio com a brisa, me visto com a vida e ingiro mais vida, projetando calor e denunciando-me como vida.
Minhas dúvidas baseiam-se nos outros, por que eu estou satisfeita. Satisfeita, vê lá! Não acomodada.
Curto miado, chilreios e uivos. Cacarejos, relinchos e coaxos. Latidos, gemidos e zumbidos. Guitarras, teclados e harpas.
Gosto do escuro de minhas pálpebras e não sentir meu corpo sendo perfeitamente são. Alucino-me com o que vejo a cada respiração.
Tatuo as frases marcantes em minha mente. E deixo lá para um momento oportuno, ou ainda, as uso como lema. “Pensamentos são nuvens”... “Tudo é uma cópia”... “Seja você mesmo”... “Eu te amo”... “Have a Nice Day”... “Tudo para você é uma aventura”... Lemas, frases, tatuagens...
Gosto de digitar e guardar, e ler tempos depois e me perguntar “O que pensei naquela hora?”... Gosto de ler para os outros e pedir opinião. Ainda que isso me renda um pequeno rótulo.
Gosto de tirar notas azuis, e apesar disso, riu nas vermelhas, por que sei que as tirei por que quis, e que posso melhorar.
Gosto de biologia, a ciência da vida. Ecologia, o estudo da casa. Astrologia, estudo dos astros. E livros, estudo de tudo.
Gosto de deixar textos inacabados e voltar a lê-los tempos depois com novas experiências, pronta pra pô-las em pauta. Mas também gosto de terminá-los e voltar tempos depois e rir lembrando-me do que sentia ou como escrevi.
Fui sincera escrevendo isso, e foi agradável. Foi bom ter velhas lembranças de volta e lembrar do que sou e que não sou rotulada pelo mundo e com uma nova tatuagem: Não são as pessoas que dizem quem sou. Sou eu que digo a ela.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Quem sou eu?

Um fake.

Um daqueles que usam uma máscara bem bonitinha e simplesmente fingem ser a máscara.

Não guardo ódio de ninguém...[Exceto meu vizinho, ô praga maldita!] Nem vou guardar. Não tenho culpa de saber certas coisas... Ou talvez tenha.

É, talvez eu tenha mesmo. Aceitar a ajuda de alguém é como admitir ao mundo o que eu não consigo admitir nem a mim : Sou fraca, incapaz de realizar sozinha um ato como este. Sou estúpida e dependente, num mundo de gênios autônomos. Ajuda para mim, de forma resumida e radical é: A admissão de derrota contra si mesma.

Não sou louca, sou paranóica. Estou vendo o dia em que meu próximo quarto será de paredes brancas e forradas, ou de madeira e flores brancas... Não gosto de admitir que preciso de ajuda, não gosto. Especialmente numa questão tão íntima quanto a solidão. Vivi uns bons 12 anos praticamente sozinha. E quando conheci a compania e a perdi, foi pior do que quando eu era apenas sozinha sem saber o que era compania.

Por isso me isolei.

Evitei a tudo e a todos. Não quis me apegar a nada, com esse receio de sentir aquele vazio de novo. Mas percebi que, se eu ficasse sozinha o tempo todo, aquela dor passava, e a solidão me anestesiava. Era tão bom... Tão triste. Me fez pensar na vida e nos outros. Era bom por que eu aguentei, mas me questionava se os outros aguentariam. Não quis deixar que ninguém sentisse isso, por que o princípio é muito ruim. Só não estou morta, por que alguém bateu no portão quando eu fui pular da janela, por que a alça do fichario estourou, e por que aquele fulano me segurou na ponte. Mas talvez ninguém ajude os outros. Por isso lhes fiz compania. Para que eles não vivam da solidão, nem sintam o que senti. Foi ruim, péssimo. Mas como continuei viva, me acostumei e desaprendi sobre as pessoas. Não lembro como é um abraço daqueles fortes e duradouros que vejo na rua ou nos filmes. Por isso desvio os olhos. Se eu sentir saudade disso, vou querer isso e me sentir mal por não ser capaz de sentir ou ter algo assim. Evito tudo isso, todo esse contato. Sou podre, mas gosto. Não quero deixar que ninguém sinta isso, é realmente ruim, sabe? Não quero que você sinta isso, não quero que ninguém sinta, só eu. Por que eu gosto. Ninguém mais gosta. Não é egoísmo, é a sobra.

Rídiculo? Bizarro?

Não vou mais tentar morrer, viver até o limite desse sentimento tão ruim é quase um objetivo, o mais errado, mas é. Mas eu não preciso dele. Não preciso. Preciso daquele abraço, preciso de ajuda, preciso das lágrimas que escorrem pelo meu rosto caindo em meus dedos. Elas me fazem crêr que isso é bom e o que eu tenho é ruim. Solidão é ruim, mas é o que me consola da dor da falta de solidão. É o que resta. Já que eu não sei fazer nada com os outros.

É louco.

Mas é um dos meus piores lados. Só um dos.

Não quero perdão. Só quero justiça. Quero que você entenda o que sinto, e quero que apenas aceite minhas mais sinceras desculpas.

Eu não sei lidar com humanos. Tudo para meus olhos tem defeito - e não é a apenas a miopía que os fornece - por isso tenho que odiar a humanidade, pra manter minha solidão intacta.

Abdico dela pra não te perder.

Apenas te peço que aceite meu jeito frio...