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Quem sou eu

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Putz... Olha pra QUEM você pergunta... Mas, se for pra dizer quem eu sou eu digo... Reticências. Reflita. Me leia. Reflita...

sábado, 3 de dezembro de 2011

Quem sou eu?

Um fake.

Um daqueles que usam uma máscara bem bonitinha e simplesmente fingem ser a máscara.

Não guardo ódio de ninguém...[Exceto meu vizinho, ô praga maldita!] Nem vou guardar. Não tenho culpa de saber certas coisas... Ou talvez tenha.

É, talvez eu tenha mesmo. Aceitar a ajuda de alguém é como admitir ao mundo o que eu não consigo admitir nem a mim : Sou fraca, incapaz de realizar sozinha um ato como este. Sou estúpida e dependente, num mundo de gênios autônomos. Ajuda para mim, de forma resumida e radical é: A admissão de derrota contra si mesma.

Não sou louca, sou paranóica. Estou vendo o dia em que meu próximo quarto será de paredes brancas e forradas, ou de madeira e flores brancas... Não gosto de admitir que preciso de ajuda, não gosto. Especialmente numa questão tão íntima quanto a solidão. Vivi uns bons 12 anos praticamente sozinha. E quando conheci a compania e a perdi, foi pior do que quando eu era apenas sozinha sem saber o que era compania.

Por isso me isolei.

Evitei a tudo e a todos. Não quis me apegar a nada, com esse receio de sentir aquele vazio de novo. Mas percebi que, se eu ficasse sozinha o tempo todo, aquela dor passava, e a solidão me anestesiava. Era tão bom... Tão triste. Me fez pensar na vida e nos outros. Era bom por que eu aguentei, mas me questionava se os outros aguentariam. Não quis deixar que ninguém sentisse isso, por que o princípio é muito ruim. Só não estou morta, por que alguém bateu no portão quando eu fui pular da janela, por que a alça do fichario estourou, e por que aquele fulano me segurou na ponte. Mas talvez ninguém ajude os outros. Por isso lhes fiz compania. Para que eles não vivam da solidão, nem sintam o que senti. Foi ruim, péssimo. Mas como continuei viva, me acostumei e desaprendi sobre as pessoas. Não lembro como é um abraço daqueles fortes e duradouros que vejo na rua ou nos filmes. Por isso desvio os olhos. Se eu sentir saudade disso, vou querer isso e me sentir mal por não ser capaz de sentir ou ter algo assim. Evito tudo isso, todo esse contato. Sou podre, mas gosto. Não quero deixar que ninguém sinta isso, é realmente ruim, sabe? Não quero que você sinta isso, não quero que ninguém sinta, só eu. Por que eu gosto. Ninguém mais gosta. Não é egoísmo, é a sobra.

Rídiculo? Bizarro?

Não vou mais tentar morrer, viver até o limite desse sentimento tão ruim é quase um objetivo, o mais errado, mas é. Mas eu não preciso dele. Não preciso. Preciso daquele abraço, preciso de ajuda, preciso das lágrimas que escorrem pelo meu rosto caindo em meus dedos. Elas me fazem crêr que isso é bom e o que eu tenho é ruim. Solidão é ruim, mas é o que me consola da dor da falta de solidão. É o que resta. Já que eu não sei fazer nada com os outros.

É louco.

Mas é um dos meus piores lados. Só um dos.

Não quero perdão. Só quero justiça. Quero que você entenda o que sinto, e quero que apenas aceite minhas mais sinceras desculpas.

Eu não sei lidar com humanos. Tudo para meus olhos tem defeito - e não é a apenas a miopía que os fornece - por isso tenho que odiar a humanidade, pra manter minha solidão intacta.

Abdico dela pra não te perder.

Apenas te peço que aceite meu jeito frio...

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