Eu cometi a idiotice de ser preguiçosa.
Neguei à minha melhor amiga a única ajuda que eu poderia fornecer a ela.
Como fui estúpida!
Se eu soubesse da dor dela... Se eu tivesse escutado o apelo dela... Se eu tivesse ouvido àquela voz dentro de mim... “Leia... Leia... Escute, com atenção e piedade... Mas, por favor, escute... Pelo bem da sua mente, quando você resolver ler aquilo tempos depois”...
Minha mente estava certa.
Eu deveria ter lido aquele apelo.
Deveria ter dito o “Está tudo bem... Se não está, vai ficar.”
Agora... Tanto tempo depois... Li.
Senti como se meu corpo formigasse. É o que sinto quando estou mal... É uma agonia física sem causa alguma que não a mental. É a dor do arrependimento e o tapa com luva de pelica do passado grosseiro.
Querida, me perdoe. Do fundo da minha alma, perdão.
Gostaria de ter ouvido seu apelo antes... Fui uma das imbecis que tapou os ouvidos... Distraí-me com nada. Fui egoísta por algo insignificante.
Perdão...
Eu poderia ter te abraçado, te dito que te amava... E acima de tudo, ter dito que tudo iria ficar bem... E o seu precioso motivo? Não, eu não poderia dá-lo... Mas poderia lhe dizer que, ainda que não tenha motivos, você não estaria sozinha. Você não era vazia como um chaveiro fofo. Era amada, possuía amigas, alguém que se sentia completa com a sua presença.
Mas não fiz nada disso...
Nada...
Ela fechou o diário após alguns minutos, guardou a pena e fechou o pote de tinta.
Deixou-os sobre a mesa de cabeceira e o diário, fez questão de guardá-lo num fundo falso que a gaveta possuía.
Apagou o abajur puxando uma delicada cordinha que pendia dele.
Confortou-se, de lado, na cama.
Completamente coberta no macio edredom e com seu hálito aquecendo seu rosto, graças à clausura do edredom, adormeceu lentamente enquanto perdia-se na ilusão de sua mente arrependida.
Debaixo de seu travesseiro, havia guardado o papel que havia imprimido debaixo de seu travesseiro. Junto ao papel, agora, havia sua mão, zelando-o, com carinho e hesitação.

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