Abstracionismo eólico
No abraço habilidoso
da dócil e cativa,
alcança o torpor preciso
no gélido e amargo vento.
Um corte grosseiro,
com precisa maestria,
arde agudamente
o fogo do gelo.
Outro abraço, outra brisa, um doce sorriso,
alegrias não vividas no torpor da nostalgia.
Um abraço,
doloroso,
no saudoso funeral.
O silêncio mórbido
daqueles que dormem,
residem nos espíritos lupinos
que uivam em mausoléus,
acreditam no abraço
da mais doce e cativa.
É preciso e grosseiro
em sua extrema maestria.
Ignora,
brinca,
abate
e
consola.
Queima,
congela
e chora em tua pele,
ousa desejar a tua compreensão sem importar-se, de fato, com tua presença.
Profano,
com audácia,
consola o devaneio;
devolve a realidade, tirando seus sonhos,
como as máscaras que roubam tua identidade:
Te molda sem teu querer e te diz ‘oi’ e ‘adeus’ com a mesma falsidade
na intensidade da adrenalina ao desconhecido.

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