Por que você comporta minha dor, você guarda meus rancores. Quem sois vós afinal? Questões, dúvidas, momentos. Não reconheço-o como meu, mesmo sabendo que o é. Secava minhas lágrimas enquanto abulia minhas feridas. Ora qual, quem sois? Não quero, não gosto, não posso. Leia minha negação e não ouse ignorá-la novamente. Não é um desafio, mas você não lê o não implícito, escrito, tatuado. Então vamos lá, eu quero, eu gosto, eu posso. Há afirmações, ouse ignorar minhas negações novamente. É um desafio, você lê o implícito, está escrito, tatuado.
Não me lembrava da dor, só queria ser consolada, mas você me mostrava a existência dela.
Solidão, quem sois voz? Eu acreditando que poderia ser feliz, que tinha esse direito. Se minha consciência pesa, é por que errei. Se dói, é por que machuquei. Se arde, arranhei. Se queima, ousei. Se choro, pequei.
Me machuque, me arranhe, me queime, seja meu pecado, ou, ao menos, a minha rendição, a um milímetro do meu dedo, no ápice da contorção. Não me deixe alcançá-lo, mas esteja perto. Perto o suficiente para eu olhá-lo nos olhos e ver toda a minha vida. E perto o suficiente, para que seja um borrão, causado pelas lágrimas que serão as cicatrizes do chicote voraz que é a verdade.
...
Grite com meus olhos, morda minhas palavras e dilacere minhas verdades. Concretize sua forma em mim, me possua, me assuma, vende-me e arranque minha língua. Torture-me sem, entretanto, arrancar uma única gota do meu sangue tóxico. Podre como meus olhos e minhas verdades. Eufemismos, metáforas e pleonasmos, aliterações, sinestesias e hipérboles. Abstracionismo, surrealismo e um cubismo quase insano... Ilusões.

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